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A importância das ações que contribuem para a transição energética é evidente. Porém, a viabilidade econômica é um fator que precisa ser considerado pelas indústrias no momento de elaborar os projetos que visam a sustentabilidade. O custo do processo e a sustentabilidade precisam caminhar juntos a fim de contribuir para o meio ambiente e para os negócios. Nesse aspecto, o Brasil tem grande potencial. Com a disponibilidade de vento, Sol e terra, o País é um celeiro para os investimentos em transição energética. Entenda mais sobre o tema na entrevista a seguir com Ary Pinto Ribeiro Filho, Diretor de Energia na Liasa.

O que a Liasa entende por transição energética, considerando seus projetos?

Para a Liasa, a transição energética é procurar produzir seus produtos de maneira mais sustentável, permitindo o crescimento ambiental e econômico-social da área em que ela atua.

Quais ações já foram iniciadas?

Estamos migrando para o consumo elétrico proveniente de fonte solar fotovoltaica. A partir de 2023 teremos 100% do nosso consumo vindo dessa fonte. Além disso, a nossa produção de silício é feita com carvão vegetal, uma alternativa ao carvão mineral. Ainda nesse segmento, a Liasa tem interesse em produzir o próprio carvão vegetal. Entre as motivações, está o potencial de captura carbono durante o crescimento da floresta, que contribuirá para nos caracterizar como produtores de silício sustentável.

Qual o planejamento para o futuro em relação às ações que promovem e visam contribuir com a transição energética?

O nosso objetivo é que, relativamente em curto prazo, estejamos bastante avançados em nossas ações de transição energética. Em primeiro lugar, a energia elétrica é um fator muito importante para a nossa indústria, por isso temos a meta de utilizarmos 100% de energia proveniente de fonte solar até 2030. Além disso, o projeto de fazendas para reflorestamento está evoluindo significativamente e temos um programa estruturado de ESG que está começando a andar. Acredito que, seguindo esse caminho, nos próximos anos nós teremos uma vantagem competitiva no mercado internacional. Isso porque em outros países não existem as possibilidades como no Brasil na questão do carvão vegetal e da geração solar, por exemplo. 

Você acredita que o setor produtivo brasileiro já prioriza esse viés da sustentabilidade?

Eu acredito que sim. Mas é importante lembrar que a questão do custo tem que sempre estar em mente. No caso da Liasa, estamos conseguindo promover ações de sustentabilidade reduzindo o custo. Porém, as empresas têm que combinar esses dois fatores, uma vez que o investimento em sustentabilidade não pode inviabilizar ou dificultar a sua competitividade. Tem que procurar ser sustentável, mas tem que se preocupar com a sobrevivência e crescimento do negócio.

Com relação ao ambiente internacional, você entende que o Brasil está em um bom patamar de investimentos em transição energética?

O Brasil tem muito a avançar, não apenas em sustentabilidade mas no próprio investimento. Nas últimas décadas, o nível de investimento do Brasil tem sido relativamente pequeno, o que explica o baixo crescimento da nossa economia nos últimos 20 ou 30 anos. Então realmente precisamos muito de investimentos atualmente.

Acredita que o Brasil utiliza todo o potencial que tem para promover a transição energética?

O Brasil tem um leque enorme de possibilidades, tem muito vento, sol, possibilidade de plantar e reflorestar. Então, temos um caminho para nos tornarmos economicamente mais fortes, na medida em que o mundo valorize essas questões e esteja disposto a pagar um pouco mais por um produto mais verde. O que me preocupa como consumidor é que todas essas ações sejam viáveis do ponto de vista econômico. Com o hidrogênio, por exemplo, o nosso posicionamento é que não se crie mais uma conta para o consumidor pagar, como acontece com os diversos subsídios, que estão cada vez mais insuportáveis. Então, se a energia do hidrogênio for competitiva e se pagar, ótimo. Mas se for jogar a conta para inviabilizar a indústria, eu sou contra. 

Voltando ao setor produtivo brasileiro. O investimento realizado pelas indústrias é revertido em diferencial competitivo? 

Eu acredito que esse tema ainda é um pouco embrionário. Estamos nos dedicando, mas cada um tem seu estágio em função do tipo de indústria, do que a energia representa para a sua produção, de como está a situação de viabilidade econômica. Às vezes a empresa não investe nisso porque a prioridade do negócio é sobreviver, se estabilizar. Apesar disso, estamos caminhando para evoluir nesse aspecto e o Brasil tem muito a ganhar com isso. 

Qual a importância da regulamentação do Mercado de Carbono no Brasil?

É importante ter um mercado regulado. A questão é que tipo de regulação, porque existem regulações que acabam atrapalhando mais do que ajudando. Mas a regulamentação é importante, porque dá um incentivo para o mercado e valoriza o esforço para que as empresas priorizem a sustentabilidade.


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