Documento para as eleições de 2026 defende energia competitiva como política de reindustrialização, geração de empregos e aumento da produtividade, com revisão de subsídios e encargos e ampliação da oferta de gás natural
O Brasil poderia retirar mais de R$ 100 bilhões por ano em custos indevidos ou ineficientes atualmente embutidos nas tarifas de energia, reduzindo estruturalmente o peso da energia sobre famílias e empresas. A estimativa integra a agenda “Energia, soberania e competitividade: uma escolha para o Brasil”, elaborada pela ABRACE Energia com propostas aos candidatos às eleições de 2026.
O documento parte de um paradoxo: o Brasil possui uma das matrizes elétricas mais limpas do mundo, enorme potencial de expansão das fontes renováveis, grandes reservas de gás natural e um mercado consumidor de escala continental, mas empresas e consumidores continuam pagando energia cada vez mais cara.
Para a ABRACE, enfrentar esse problema deve ser uma das prioridades do próximo governo. Mais do que uma agenda setorial, a redução estrutural do custo da energia é apontada como instrumento para estimular investimentos, ampliar exportações, aumentar a produtividade, fortalecer as cadeias produtivas nacionais e gerar empregos.
Energia pesa no bolso muito além da conta de luz
A dimensão do problema não aparece apenas na conta de luz, no botijão de gás ou no combustível. Segundo os dados reunidos pela ABRACE, cerca de um quarto do orçamento das famílias brasileiras está comprometido com energia. E, a cada R$ 10 pagos diretamente em energia, o brasileiro desembolsa até outros R$ 20 de forma indireta, por meio do custo energético embutido nos produtos e serviços.
A energia chega a representar 29,8% do custo do pão, 27,2% da carne, 28,3% do leite e 33,9% do caderno. No caso de materiais de construção, corresponde a 43,9% nos revestimentos de pisos e paredes e 31,6% em cimento. O aumento pode ser ainda maior nos custos de moradia, chegando a 53,5% na taxa de água e esgoto, por exemplo.
Para a indústria, o impacto se traduz em perda de competitividade, redução de margens, menor capacidade de investimento e dificuldade para competir com produtos estrangeiros.
A avaliação da Associação é que aproximadamente 26% do custo da energia no Brasil seja composto por encargos, subsídios, taxas e outras ineficiências. Parte dessas despesas decorre da utilização da conta de energia como instrumento para financiar políticas públicas.
Cinco caminhos para reduzir estruturalmente a conta
Entre as medidas defendidas pela ABRACE estão a revisão de encargos e subsídios, o aperfeiçoamento regulatório e maior eficiência na contratação de energia. A Associação propõe ainda impedir a criação de novos custos para consumidores e rever subsídios explícitos e implícitos que tenham perdido sua finalidade ou não produzam benefícios proporcionais ao seu custo.
A agenda defende que políticas públicas sejam financiadas pelo orçamento público, submetidas a transparência, controle fiscal e debate democrático, em vez de serem automaticamente incorporadas às tarifas de energia.
Outro eixo é a modernização institucional do setor elétrico, com investimentos em digitalização e redes, aprimoramento da governança e do planejamento energético e atualização das regras de funcionamento do mercado.
Mais gás para reindustrializar o Brasil
A agenda dedica atenção especial ao gás natural. Embora o Brasil produza volumes crescentes do insumo, especialmente no Pré-sal, grande parcela dessa produção é reinjetada nos reservatórios, limitando a oferta disponível ao mercado. A ABRACE propõe a criação de oferta adicional estruturada de gás natural para a indústria a um custo final que desenvolva nova demanda, que está estagnada há 15 anos.
Entre as medidas propostas estão a definição de metas de reinjeção para novos campos, leilões de gás da União voltados à indústria, redução das tarifas de distribuição e a implementação do gas release, com leilões transparentes, contratos competitivos e participação ampla de agentes.
CLIQUE AQUI E ACESSE A PROPOSTA DA ABRACE AOS PRESIDENCIÁVEIS (2026)


